Eu desconfio de cardápio que tenta mostrar tudo ao mesmo tempo. Foto, selo, desconto, adicional, combo, borda colorida e uma faixa piscando. A intenção é vender mais, claro. O efeito costuma ser o contrário. O cliente bate o olho e não sabe por onde começar.
O cardápio funciona melhor quando se parece com uma conversa curta de um bom atendente. Primeiro ele entende o que a pessoa quer. Depois mostra as opções que fazem sentido. Por fim, sugere algo que completa o pedido. Sem pressão e sem truque.
Comece pelo que você quer vender mais
Nem todo produto merece o mesmo espaço. Alguns representam a identidade da casa. Outros têm uma margem melhor. Há também os que saem rápido e ajudam a cozinha a manter o ritmo. Esses itens precisam aparecer cedo e com uma descrição caprichada.
Isso não significa esconder o resto. Significa organizar. Se o hambúrguer autoral é o motivo pelo qual as pessoas lembram do restaurante, ele não deveria ficar perdido entre vinte opções genéricas.
- Abra com uma categoria curta de favoritos da casa.
- Mantenha categorias com nomes óbvios. O cliente não deveria decifrar sua criatividade para achar uma bebida.
- Ordene os itens pensando na decisão, não na data em que foram cadastrados.
- Retire duplicidades. Se dois produtos são quase iguais, talvez um deles possa virar variação do outro.
Descrição boa faz a pessoa imaginar a primeira mordida
"Pão, carne, queijo e molho" está tecnicamente correto. Também não dá vontade nenhuma. A descrição precisa contar o que torna aquele lanche gostoso: pão selado na chapa, carne com borda tostada, queijo derretido e molho levemente defumado. Só não exagere. Se cada item virar um poema, ninguém lê.
Vale chamar alguém da equipe e fazer uma brincadeira. Peça para a pessoa descrever o lanche favorito sem olhar o cadastro. A fala espontânea costuma trazer palavras muito melhores do que a descrição formal que está no sistema.
"O cliente não compra uma lista de ingredientes. Ele compra a vontade que aquela combinação desperta."
Adicionais precisam combinar com o pedido
O jeito mais saudável de aumentar o ticket médio é ajudar o cliente a montar uma refeição melhor. Batata com hambúrguer. Molho extra com porção. Sobremesa pequena depois de um combo para duas pessoas. A sugestão tem contexto.
Quando a tela oferece dezessete adicionais aleatórios, a sugestão vira ruído. Pior ainda quando o mesmo adicional aparece em todo produto, mesmo sem fazer sentido. Escolha poucos complementos e escreva o benefício de forma direta. "Adicione fritas crocantes" é mais convidativo que "Item adicional 04".
Combo bom resolve uma ocasião
Muita gente monta combo apenas somando produtos e dando desconto. Funciona até certo ponto. Os combos mais fáceis de escolher resolvem uma situação: almoço rápido, jantar para duas pessoas, lanche da família, noite de jogo.
Dê nome à ocasião e deixe a economia visível, sem transformar o preço numa conta de matemática. O cliente quer entender em segundos o que recebe e para quantas pessoas aquilo serve.
Não tenha medo de enxugar
Tirar item do cardápio dá uma sensação estranha. Parece que estamos perdendo venda. Só que produto parado também custa: ocupa estoque, exige treinamento, aumenta a chance de erro e deixa a decisão mais cansativa.
Olhe para os últimos meses. Se um item vende pouco, usa ingredientes exclusivos e ainda atrapalha a cozinha, ele precisa justificar a própria existência. Talvez seja hora de sair. Um cardápio menor e bem cuidado costuma parecer mais confiante. E confiança abre o apetite.
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